ISAVE reúne especialistas para refletir uma das maiores ameaças à saúde global: a resistência aos antibióticos 

O combate à resistência antimicrobiana – considerada pela comunidade científica uma das maiores ameaças à saúde pública do século XXI – esteve no centro das III Jornadas de Controlo de Infeção, que reuniu especialistas das instituições de saúde, investigadores, profissionais de saúde e estudantes no ISAVE – Instituto Superior de Saúde, em Amares.

O encontro arrancou com uma sessão de abertura marcada por intervenções institucionais do Profº Doutor Fausto Amaro, e da presidente do instituto Profª Doutora Mafalda Duarte, da representante do Município de Amares Dra Cidália Abreu, do presidente regional norte da Ordem dos Enfermeiros Enfº Miguel Vasconcelos e da organização científica representada pela Profª Doutora Daniela Gonçalves.

O momento inaugural contou ainda com a atuação da YSATUNA – Tuna Académica do ISAVE, que trouxe um momento cultural ao início de um dia dedicado ao Controlo de Infeção.

O primeiro painel focou-se na resistência antimicrobiana, um fenómeno que compromete a eficácia dos antibióticos e coloca em risco tratamentos médicos essenciais. Sob moderação da Enfª Cláudia Martins, especialistas alertaram para a urgência de reforçar programas de Antimicrobial Stewardship (AMS) e estratégias de prescrição responsável. A Dra Joana Alves, médica coordenadora da UL-PPCIRA da ULS de Braga, destacou o papel destes programas no controlo das infeções hospitalares. Já o Dr David Peres, médico de saúde pública do serviço SCIRA da ULS Matosinhos, apresentou dados epidemiológicos e estratégias de gestão da resistência antimicrobiana.

As Jornadas aprofundaram a temática inerente à prevenção das infeções associadas aos cuidados de saúde numa perspectiva One Health. A Profª Doutora Helena Neto Ferreira, professora da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, destacou a importância da abordagem “One Health”, que integra saúde humana, animal e ambiental no combate à resistência aos antibióticos. A Dra Sara Cardoso, médica coordenadora da UL-PPCIRA do Alto Ave abordou a disseminação de MRSA e dos VRE. Outro dos temas que despertou grande interesse foi a terapia fágica personalizada, apresentada pelo Dr Hugo Oliveira, investigador do grupo de biotecnologia de bacteriófagos Bphage, apontada como uma possível alternativa inovadora aos antibióticos tradicionais.

Durante a tarde, o foco recaiu sobre as disseminação das carbapenemases, enzimas produzidas por bactérias de Gram-negativo responsáveis por infeções difíceis de tratar em ambiente hospitalar.

Profissionais da ULS de Braga, entre os quais Enfª Cláudia Martins, a Enfº Isabel Veloso e a Engª Ana Silva, abordaram temas críticos como a gestão de isolamentos, o papel do ambiente na transmissão e a importância da higiene das mãos no combate às bactérias multirresistentes, abordado pela Enfª Alexandra Fernandes da UL-PPCIRA de Santo António. Foram discutidos os desafios enfrentados em unidades de cuidados continuados, apresentados pela Engª  Maria Manuel Soares, da Santa Casa da Misericórdia de Vila Verde.

As Jornadas terminaram com a apresentação dos trabalhos científicos no formato de comunicações orais livres e e-pósteres. 

Ao longo do congresso ficou clara a mensagem: combater a resistência antimicrobiana exige cooperação entre profissionais, instituições e políticas de saúde eficazes.

Num momento em que os antibióticos perdem eficácia em todo o mundo, encontros científicos como este reforçam a necessidade de investir em investigação, prevenção e educação – antes que infeções hoje tratáveis se tornem novamente ameaças mortais.